Uma Capitu

O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada. Cuidado não a toque, ela é ma pode até te dar um choque! Se porta como louca. Achata bem a boca, parece uma bruxa, um anjo mal. Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam. Eu sou pau pra toda obra, Deus dá asas à minha cobra, minha força não é bruta, não sou freira, nem sou puta. Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda. Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem. Sou rainha do meu tanque, sou pagu indignada no palanque fama de porra-louca, tudo bem, minha mãe é Maria ninguém. O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós. Não sou atriz, modelo, dançarina. Meu buraco é mais em cima, porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda. Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome. Por isso, não provoque é cor de rosa choque. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim. 

(Duas poetisas misturadas em um caldeirão de mim: Clarice Lispector e Rita Lee em colagens)

Mas e quem eu sou além disso?

Goiana com muito saudosismo, apaixonada por literatura desde que se conhece por gente, tive nos livros a minha primeira grande paixão e vício. Neta de um homem que admirava esse vício tive a oportunidade de vivê-lo e sua plenitude, tornando a literatura minha arte preferida e a escrita uma boa amiga. Ainda na infância, encontrei um segundo vício: a política. Sendo que essa não foi sempre muito incentivada! No entanto, nunca me desencantei por esse exercício que tem sido tão deturpado por tantos.

Atualmente estudo Letras e Relações Internacionais, também cursei dois anos de Administração. Apaixonada na interdisciplinaridade tenho diversos cursos eletivos em variadas áreas do conhecimento, especialmente em Ciência Política, Escrita Criativa e Argumentação. Nunca gostei muito das caixas óbvias do conhecimento, apaixonada pelos livros, também me apaixonei nas mais variadas áreas do conhecimento. Encontrei um terceiro grande vício no Debate Competitivo. Atualmente presido o USP Debate e lidero o Time de Competições da Universidade de São Paulo. Neste, ministro aulas de oratória e argumentação, sendo também responsável pela gestão administrativa da equipe.

Em apenas um ano e meio com debatedora já alcancei três títulos importantes títulos: Campeã Brasileira, Campeã do Open Lisboa e Campeã do Open Coimbra. Além de cinco títulos de melhor debatedora. Em 2020, também participou como Organização e Chefe de Adjudicação em três torneios nacionais. Além disso, é a Diretora Nacional de Escolas do Instituto Brasileiro de Debates, e desenvolve projetos de políticas públicas em assistência social pelo Projeto Karuna.