Vou morar em Noronha

Muitas pessoas estão me inquirindo, algumas me perguntando e alguns anjos me aconselhando sobre o que farei da minha vida. De outro lado a minha preocupada família, eles acham que estou velha e que a minha prima está se formando, então, eu também deveria. Teve aquela amiga minha do fundamental, bem, ela já está indo para Pós. E as minhas melhores amigas do ensino médio estão quase todas já formadas. A Josefa, prima do tio-avô da minha mãe, está ganhando super bem depois de ter passado em um concurso. Etc.

Aparentemente, todo mundo andou e eu fiquei aqui batendo na mesma tecla de um sonho que horas é acessível e horas é impossível. O único problema? O sonho me tem, não me entendam errado, é só que eu sou mais dele do que ele é meu. Abrir mão dele pelo tempo ou pela produtividade seria o equivalente a abrir mão de mim. Nesse mundo torto que vivemos, as pessoas nos falam de fé, mas não sabem tê-la e de propósito quando não sabem segui-lo.

E o que define o caminho de uma vida? Depende do sujeito. Na minha oração, meus caminhos serão definidos por sonhos, bem-estar consigo e propósitos. Na sua, eu não sei, talvez, eles sejam definidos por cifras, pressões e medos.

E o Destino? Escuto muito que talvez não seja “vontade de Deus”, diante dessa frase, eu reflito sobre por quais razões vontades divinas são utilizadas de consolo para essas situações de desilusões e perdas. Ninguém nunca te diz “seu filho está usando drogas, deve ser a vontade de Deus”. E se disser, você não iria ficar sentado aceitando isso, não é mesmo?!

Na minha humilde opinião, o Destino costuma ser a desculpa dos covardes. Apaixonada pelos existencialistas, acho que devemos fazer Camus e Sartre valerem ao proclamar que não somos um joguete nas mãos de forças maiores do que nós.

E ainda mais importante do que o Destino é a exclusividade da vida. Por mais igual que nos pareçamos, nós não somos iguais. Pessoas não são peças de lojas de departamentos, elas são pinturas do Monet. Só tem uma de cada obra. O Deus de qualquer religião é um criador, não uma copiadora automática. Compre a sua originalidade, abrace o fato de que você não tem que seguir uma cartilha de vida e que deixar isso acontecer é ser um instrumento para servir a orquestra de outrem.

Esse é o meu ponto. Essa é a minha voz. Constantemente, eu fico confusa com as vozes alheias, com o tempo e com a produtividade. Em muitos momentos, eu me acho muito sonhadora, mas sejamos francos, existe algo mais realista do que saber qual caminho te fará genuinamente feliz e ser fiel a ele? Utópicos não são os que escolhem tudo que não os agrada para que assim agradem aos outros ou cumpram algum script imaginário de vida e que no final esperam se sentir realizados?

Cada segundo de vida é uma dádiva, escolher vivê-lo é a verdadeira manifestação de divindade na Terra. Ser o sujeito de sua própria história, com falhas, quedas, vitórias, rancores, amores e tropeços. Aproveitar os momentos com quem se ama. Lutar pelos sonhos que te fazem sorrir. Plantar esperança e força. Buscar deixar o mundo pelo menos um pouco melhor. Encontrar seu propósito e fazer dele o seu norte. Essa é a resposta para o que eu tenho feito da vida. Continuarei fazendo com o máximo orgulho que um pessoa sente ao descobri-se verdadeira viajante de sua própria existência.

PS: Tenha um vida daqueles que te permitem cantar “My Way”, de Frank Sinatra.

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