Lolita, de Vladimir Nabokov (1955)

Nota Total: 100 / Nota Pessoal: 50 / Nota Técnica: 50

“Lotita, luz da minha vida, fogo da minha carne. Minha alma, meu pecado, Lo-li-ta: a ponta da língua toca em três pontos consecutivos do palato para encostar, ao três, nos dentes. Lotita.” É assim que esse ultrajante livro inicia-se,com a mesma capacidade de narrar o desejo de Humbert toda a obra segue. E que obra… Este é o meu terceiro livro preferido. Vocês verão aqui que a nota máxima não é uma que eu cedo facilmente. Nabokov fez por merecer. Essa narrativa é de proezas que englobam o leitor, afinal, ela te joga dentro de conflitos morais e dúvidas agonizantes sobre fatos e personagens. Ele te instiga. É um leitura que exige profundidade e nunca poderá ser superficial. Não se trata de uma história de amor, mas de uma história de desejos reprimidos e obsessão.

A proeza técnica do livro é fruto do conhecimento de Vladimir Nabokov, um russo que viveu em Paris e mudou-se para os Estados Unidos. Ele lecionou em faculdades como Harvard e Stanford. E seus conhecimentos sobre o melhor da literatura mundial serviram de apoio para essa obra tão original, há referências a Edgar Allan Poe, James Joyce e Lewis Carroll.  Lolita foi seu primeiro romance escrito em inglês e sua obra-prima. Em termos de enredo, a obra é surpreendente e um final clichê ou previamente imaginado talvez não seja o desfecho que você encontrará. Há excelentes irônias, trocadilhos, poesias, reflexões e mesmo assim a leitura é extremamente fluida.

É um livro polêmico desde do lançamento, pelo óbvio motivo de tratar de uma relação entre um professor de meia idade e uma menina de doze anos. Antes que você julgue que essa história talvez não seja adequada para seus olhos, eu indicaria a leitura da narrativa que eu já li e mais conseguiu explorar a mente real de um personagem. É brilhante. De tão verossímil é assustador e estimulante, esse livro é uma imersão na mente de um pedófilo. E você irá descobrir o quão sedutor e eloquente Humbert é. Acredite: será, em muitos momentos difícil, odiá-lo e você confrontará Dolores. À la Bentinho, ele joga e manipula ou, caso você prefira acreditar que Capitu traiu, talvez Humbert tenha bebido apenas na verdade. Qual será o seu veredito? No entanto, a forma como a narrativa é finalizada é mais clara e você verá a verdade com mais facilidade.

O indico já com a garantia que você amará esse livro, que é um confronto moral, uma aula de psicologia e uma primazia da escrita. De antemão, eu aviso: Prepare-se, porque de tão viciante que é essa leitura, eu a realizei em um dia. Não conseguia parar.

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