Para não esquecer, Clarice Lispector

“Cada vez mais acho tudo uma questão de paciência, de amor criando paciência, de paciência criando amor.” – Clarice Lispector, em “Para não esquecer”. “Estou can-sa-da. De ser in-com-pre-en-sí-vel. Mas não quero que me compreendam senão perco a minha intimidade sagrada. É muito grave o que estou falando, muito grave mesmo.” – Clarice Lispector, em “Para não esquecer”. “Não posso escrever enquanto estou ansiosa ou espero soluções porque em tais períodos faço tudo para que as horas passem; e escrever é prolongar o tempo, é dividi-lo em partículas de segundos, dando a cada uma delas uma vida insubstituível.” – Clarice … Continuar lendo Para não esquecer, Clarice Lispector

Laços de família, Clarice Lispector

“Mas as palavras que uma pessoa pronunciava quando estava embriagada era como se estivesse prenhe – palavras apenas na boca, que pouco tinham a ver com o centro secreto que era como uma gravidez” – Clarice Lispector, em “Laços de família”. “Sempre fora fascinada pelas ostras, com aquele vago sentimento de asco que a aproximação da verdade lhe provocava” – Clarice Lispector, em “Laços de família”. Continuar lendo Laços de família, Clarice Lispector

Felicidade clandestina, Clarice Lispector

“O mundo parece chato mas eu sei que não é. Sabe por que parece chato? Porque, sempre que a gente olha, o céu está em cima, nunca está embaixo, nunca está de lado. Ei sei que o mundo é redondo porque disseram, mas só ia parecer redondo se a gente olhasse e às vezes o céu estivesse lá embaixo.” – Clarice Lispector, em “Felicidade clandestina”. “Além do mais, a solidão de um ao lado do outro, ouvindo música ou lendo, era muito maior do que quando estávamos sozinhos. E, mais que maior, incômoda. Não havia paz. Indo depois cada um … Continuar lendo Felicidade clandestina, Clarice Lispector

Água Viva, Clarice Lispector

“Tenho um pouco de medo: medo ainda de me entregar pois o próximo instante é o desconhecido. O próximo instante é feito por mim? ou se faz sozinho?” – Clarice Lispector, em “Água viva”. “Eu te digo: estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já que de tão fugidio não é mais porque agora tornou-se um novo instante-já que também não é mais. Cada coisa tem um instante em que ela é. Quero apossar-me do é da coisa.” – Clarice Lispector, em “Água viva”. “Não vê que isto aqui é como filho nascendo? Dói. Dor é vida exacerbada. O processo … Continuar lendo Água Viva, Clarice Lispector

Não tenho um laço no cabelo.

Eu não sei como eu sou eu, mas queria saber. Eu podia ser calada, calma, nada ansiosa, normal e bem comportadinha. Quem me dera ter sonhos comuns e gostos clássicos, tocar piano e não ser dona de mim. Ter uma belo laço no cabelo e ser uma dessas mulheres que Oscar Wilde definiria como “perfeitamente óbvia”. Deve ser profundamente simples e deleitoso ser assim. Imagino que não há crises existenciais ou críticas, a facilidade dessa forma de existência me encanta! Ser comum deve ser algo absolutamente extraordinário! Eu queria muito ser a Carolina, mas nasci e me fiz Capitu. Continuar lendo Não tenho um laço no cabelo.